Autismo na vida adulta: entender para incluir
Quando falamos em autismo, ainda é muito comum que o imaginário das pessoas esteja ligado apenas à infância. Mas o Transtorno do Espectro Autista não termina quando a criança cresce. O autismo acompanha a pessoa por toda a vida, e compreender isso é um passo fundamental para construirmos uma sociedade mais justa e inclusiva.
O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento e influencia a forma como a pessoa se comunica, se comporta e percebe o mundo ao seu redor. Na vida adulta, essas características continuam presentes, embora nem sempre sejam visíveis ou compreendidas por quem está de fora.
Um dos traços mais comuns no autismo adulto é o que chamamos de rigidez cognitiva. Mudanças inesperadas, situações fora do planejado ou que fogem do controle podem gerar níveis muito elevados de ansiedade e estresse. Não se trata de exagero ou dificuldade de adaptação comum a qualquer pessoa. É uma reação real, intensa e, muitas vezes, bastante desgastante para quem vive essa condição.
Outro aspecto frequente é o pensamento mais literal e concreto. Muitos adultos autistas podem ter dificuldade em compreender ironias, piadas ou mensagens com duplo sentido. Isso não tem relação com inteligência ou senso de humor, mas com uma forma diferente de processar informações e interpretar a linguagem.
As questões sensoriais também fazem parte da vida de muitas pessoas autistas. Barulhos, luzes intensas, cheiros, texturas ou o toque físico podem causar desconforto significativo. O que para alguns parece simples ou cotidiano, para outros pode ser uma fonte constante de sobrecarga.
Por isso, falar sobre autismo na vida adulta é, antes de tudo, falar sobre empatia. Quando a gente entende, a gente julga menos. Quando entende, a gente respeita mais. E quando respeita, cria ambientes mais acessíveis, acolhedores e humanos.
Carteira de Identificação do Autista: um direito que vale em qualquer idade
Um ponto fundamental nessa discussão é reforçar que a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) também é válida para adultos. O autismo não tem idade — e os direitos também não podem ter.
A CIPTEA é uma política pública criada a partir de uma lei de minha autoria e garante prioridade no atendimento, respeito e reconhecimento da condição da pessoa autista em serviços públicos e privados. Ela é um instrumento simples, mas que faz diferença concreta no dia a dia de milhares de famílias.
Santa Catarina já ultrapassou a marca de mais de 40 mil carteirinhas emitidas, o que mostra a dimensão dessa política e o quanto ela é necessária. Cada carteirinha representa uma pessoa que passa a ser vista, respeitada e acolhida com mais dignidade.
A solicitação da Carteira de Identificação do Autista é gratuita e pode ser feita de forma digital, por meio dos canais oficiais do Governo do Estado. É necessário apresentar documentação básica, como laudo médico que comprove o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista e os dados da pessoa requerente. Após a análise, a carteirinha é emitida e passa a garantir os direitos previstos em lei.
Essa política pública é um exemplo de como inclusão não pode ficar apenas no discurso. Inclusão precisa chegar na vida real, no atendimento, na fila, no serviço público, no cotidiano das pessoas.
A inclusão verdadeira se constrói com informação de qualidade, empatia nas relações e políticas públicas que funcionam na prática. É esse o caminho que precisamos seguir para garantir que pessoas autistas, em qualquer fase da vida, tenham seus direitos respeitados e sua dignidade preservada.
Conheça três leis estaduais de Santa Catarina que reforçam a inclusão no estado:
- Lei Estadual nº 17.754/2019 – Institui a carteirinha de identificação do autista em Santa Catarina. Com ela, é possível ter acesso a diversos benefícios como transporte intermunicipal gratuito e prioridade no acesso a serviços serviços públicos nas áreas de saúde, educação e assistência social.
Sugestão de leitura: https://maurodenadal.com.br/carteirinha-do-autista-em-sc-documentos-regras-e-beneficios/
- Lei Estadual nº 18.686/2023 – Torna indeterminado o prazo de validade dos laudos médicos que atestam deficiências permanentes, incluindo o autismo. Evitando custos e transtornos para as famílias e pacientes.
Sugestão de leitura: https://maurodenadal.com.br/sancionado-projeto-lei-autismo/
- Lei Estadual n° 19.160/2025 – Obriga cinemas de Santa Catarina a oferecerem sessões adaptadas para pessoas com hipersensibilidade sensorial, como autistas e pessoas com síndrome de down. Possibilitando mais acessibilidade e promovendo o lazer do público.
Sugestão de leitura: https://maurodenadal.com.br/sessoes-cinema-adaptadas/